sábado, 9 de maio de 2020

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AS SETE CARACTERÍSTICAS DE UMA SEITA

Inicialmente é preciso dizer que não é fácil definir uma seita. Elas diferem entre si, tanto em práticas como em crenças. Algumas tem um grau bem maior de fanatismo do que outras, mas todas estão embebedadas de algumas ideias e atitudes que compartilham em comum.

Para que possamos facilitar o entendimento e a identificação delas, segue algumas características que você pode facilmente encontrar em todas elas. Entretanto, algumas destas características podem existir de forma mais clara em umas do que em outras, mas de forma explícita ou implícita, elas compartilham em comum desses seguintes pontos:

Observação: no final de cada explanação, segue alguns testes que você pode aplicar aos adeptos de alguma suposta seita.

As principais características de uma seita são: 
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1    1. Ruptura ou apartamento com a maioria da sociedade:

Eles se consideram uma espécie de classe superior e se autodeclaram melhores que os outros. Por isso acham estarem num patamar superior de autoridade moral, por pertencerem a um grupo que compartilha de opiniões que a maioria da sociedade não compartilha. Para eles, o mundo está errado e eles certos, por isso, eles precisam afastar-se da imundície do mundo (corrupção, imoralidade, descrença...) e fechar-se em seu próprio universo de crenças.

TESTE: Pergunte a algum deles se consideram que as suas crenças podem ter algo de errado em relação ao que a maioria defende. Provavelmente eles responderão que o mundo está contaminado por algum mal que eles precisam combater.

2. Obediência total e cega a um chefe ou guru “carismático”:

As seitas em geral são formadas por pessoas emocionalmente perdidas e mentalmente confusas em suas perspectivas. É importante que se diga que isso não tem nada a ver com inteligência, mas com emoções. Existem pessoas idiotas fazendo parte de seitas, mas também pessoas muito inteligentes. Acontece que, ao encontrarem alguém que elas se identificam, existe uma tendência a seguir alguém que parece ter clareza de um determinado caminho a ser seguido.
Sendo assim, nesse jogo de emoções, elas confiam o seu destino a alguém que elas se identificam como igual a elas. Ai cabe a seguinte pergunta: Você confiaria em alguém ‘igual’ a você? Muito provavelmente sim!
Portanto, como elas consideram o seu líder como o seu espelho, elas o seguem, pois psicologicamente, elas pensam, e de certa forma não estão errados, estar seguindo alguém igual a elas. Daí, criticar o líder, é sentir-se agredido da mesma forma, pois ele é o líder e o líder é ele.

TESTE: Perguntem se o adepto considera algum ponto negativo no líder. Muito provavelmente, eles dirão que ele não tem defeitos e que é até mesmo perfeito e toma sempre as decisões corretas.

3. Tendência ao segredo:

Ele consideram-se possuidores de algum segredo oculto ou verdade revelada. Creem ser portadores da verdade absoluta e de uma fé inquestionável que apenas a eles foi confiada. É uma ideia que pertence apenas a eles e todos os outros são inferiores o suficiente para saberem ou indignos demais para compartilhar entre com os outros membros.
Para eles, todos os outros meios de divulgação de ideias, conhecimento, livros, concepções de visões de mundo são falsas. Pois não possuem o segredo ou detalhe da verdade revelada apenas a eles.

TESTE: Pergunte ao adepto qual tipo de ideia que ele acredita, pode ser colocada à público. Ele possivelmente dirá que não pode revelar porque as pessoas não iriam entender e que esse saber não pode estar aberto para todos.

4. Emoção e afetividade maior que raciocínio crítico:

As seitas mantém as pessoas em seu círculo muito mais pela emoção do que pela razão. O uso da razão, por sua natureza, exige um constante questionamento da realidade ao seu redor. As seitas abominam perguntas, críticas e questionamentos.
É impossível aprisionar por muito tempo as pessoas a uma ideia, ensinando-as a pensarem por si mesmo. As seitas precisam de crença absoluta e fidelidade integral. Questionamentos e reflexões críticas estão sempre em busca de erros e falhas em qualquer estrutura que está ao nosso redor, portanto, é de vital importância que estas seitas mantenham constante vigilância e em estado de ameaça, qualquer um que ouse questionar o líder e o movimento.  
As contradições dentro de muito destes grupos é muito comum, como por exemplo, ser contra o aborto, mas defender o assassinato de alguém.
As pessoas permanecem pelo prazer de compartilhar algo com um coletivo e tem medo de se apartar do grupo por causa das críticas, perseguições e represálias.
É muito comum nestes grupos o uso de lavagem cerebral, chantagem sobre a vida pessoal de alguém ou a mais pura e simples ameaça.

TESTE: Pergunte a algum membro o porquê ele faz parte do movimento. Ele provavelmente dirá que gosta de estar ali, com pessoas que acreditam no que ele acredita, que ele sente-se bem. Não haverá nenhuma relação lógica e racional em suas palavras e todas elas em geral girarão em torno de sentimento: amor... ódio e coisas do tipo.

5. Militantismo ou proselitismo:

Eles são muito aguerridos às suas ideias e são convencidos pelo seu próprio fanatismo e de terceiros de fazer o que for preciso para servir ao movimento. Todo e qualquer sacrifício é válido, inclusive o da própria vida em prol do movimento.
Suas ações tendem a ser organizadas e disciplinadas dentro daquilo que o movimento exige. Seguem uma determinada forma de comportamento e linguagem próprias, que servem ao mesmo tempo, como forma de identificação entre os adeptos da seita.
Consideram que, aqueles que não professam as mesmas ideias que as suas, são idiotas e imbecis, pois simplesmente não concordam com eles. Estão sempre usando o velho jogo do ‘nós’ contra ‘eles’.
Estão sempre dispostos a defender as suas ideias custe o que custar, mesmo que não tenham nenhuma conexão com a realidade e por mais contraditórias ou irracionais que elas possam ser.

TESTE: tente discordar abertamente de alguma ideia deles, logo você será taxado de louco, burro ou ignorante por pensar diferente do que ele acredita.

6. Cultos e eventos teatrais e/ou espalhafatosos:

Seus eventos, cultos, congressos, reuniões, sessões, manifestações tem alta dose de teatralidade e com forte carga emocional.
Eles precisam mostrar que o movimento é vivo e tem um significado que vai para além do comum, portanto, precisam sempre se valer de reuniões que apresentem uma alta carga de emotividade, sincronia e sintonia entre os membros da seita.
Seus eventos envolvem danças, marchas, músicas, gritos de guerra, palavras de ordem, mantras, orações, meditação coletiva, etc.
Não é incomum que muitos desses grupos, que muitas vezes se passem por moralistas e puritanos, sejam adeptos de orgias, sexo grupal, zoofilia, troca de casais, entre outras práticas.

TESTES: Pergunte a um membro o que ele acha interessante nestas reuniões ou eventos. Provavelmente ele dirá que os eventos são fantásticos e servem com uma forma de demonstração coletiva de crença que eles tem em suas ideias.

7.  Expectativa de intervenção divina:

Eles consideram-se como uma espécie de escolhidos para trilhar um caminho divino. Creem serem portadores de uma benção divina e estarem protegidos por um determinado ser sobrenatural que os vigia todo tempo.
Colocam este ser acima de todos os princípios, sejam morais ou éticos. Seguir as supostas ordens ou orientações desse ‘deus’, lhes dão coragem para fazer o que for necessário em nome desse ideal, incluindo crimes ou qualquer tipo de perversão que se possa imaginar.
Sentindo-se eles resguardados pro esse ente superior, sentem-se empoderados e autorizados a praticar o que for necessário à satisfação dos membros de seu movimento e de seus respectivos líderes.
Usam o nome desse ser superior para justificar qualquer ação, até mesmo criminosa, tornando-se extremamente perigosos para a sociedade por seu potencial criminoso de fanatismo.

TESTE: Questionem qual o ser superior que eles se orientam. Muito provavelmente dirão que é deus ou qualquer outra entidade que eles se guiam.

Exemplos de seitas: Bolsonarismo, olavismo, Templo do Povo, culto de Buddhafield, Igreja da Cienciologia, Verdade Suprema...

Prof. Demétrio Melo
Escritor e historiador

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