Há exatos 104, os Bolcheviques tomaram o poder na Rússia,
acabaram de vez com qualquer ameaça de retorno do czarismo e iniciaram a
construção do primeiro Estado socialista da História.
Após 104 anos, a Revolução Russa ou Revolução de Outubro,
ainda suscita esperanças e desilusões com os rumos que o movimento dos
trabalhadores tomou, após o colapso da URSS.
O homem, como ser capaz de criação e esperança, preencheu de
forma legítima sua mente e seu coração, da possibilidade de constituição de um mundo
mais justo e igualitário para todos.
Apesar de todas as suas contradições, aquele movimento representou
o esforço de mulheres e homens na busca de um futuro que desse não apenas pão a
seus filhos, mas a possibilidade de ver a beleza do mundo no sorriso de cada
vizinho, por saberem que uns se importavam com os outros.
Uma revolução, não se faz com flores. Então, estigmatizar a Revolução Russa por causa de seu caráter armado, é no mínimo desconhecer eventos
como as Revoluções Inglesas e a Revolução Russa. Por acaso ficamos penalizados
com o fato de Luís XVI e Maria Antonieta terem sido enviados para a guilhotina?
É possível ter ao menos uma estimativa de quantas pessoas
morreram com as incursões imperialistas na Ásia e na África, que tinham como
único objetivo, encher os bolsos das potências capitalistas de mais
dinheiro? Não é verdade que após a Segunda Guerra Mundial e séculos de
espoliação, elas ainda se atreveram a manter africanos e asiáticos
como colônias?
Um escravo quando pega em armas contra os seus senhores, é
assassino ou revolucionário? Era o Czar um homem que levaria justiça ao seu
povo? Não deveria ter tentado o povo russo, construir um outro caminho? Os jacobinos
deveriam ter se conformado com o absolutismo e os cubanos tolerado o ditador Fulgêncio
Batista como fizeram os americanos?
Esse inconformismo, que se mantém diante das injustiças do
mundo, é o que move aqueles que não aceitam que a vida é assim mesmo. Ou seja,
que a maioria deve morrer para que uns poucos possam viver de luxo.
O lastimável é que muitos dos que estão condenados a esta morte, tenham se convencido de que eles próprios são dignos de sua desgraça.
Mais
lastimável ainda, é a perdição em que a denominada esquerda se meteu,
perdida no labirinto de infrutíferas discussões e temas que de longe, são os pontos
centrais da vida das pessoas.
O fato é que, enquanto houver desigualdades, haverá socialismo. Pois não se trata, como antes, apenas da maneira de relacionar-se com a riqueza, mas com um modo de todos poderem beneficiar-se dela.
Porém, para isso, nunca
poderemos deixar de olhar para 1917 e saber que não será nem um pouco barato.
Demétrio Melo
