domingo, 7 de novembro de 2021

Posted by Demétrio Melo |

 


Há exatos 104, os Bolcheviques tomaram o poder na Rússia, acabaram de vez com qualquer ameaça de retorno do czarismo e iniciaram a construção do primeiro Estado socialista da História.

Após 104 anos, a Revolução Russa ou Revolução de Outubro, ainda suscita esperanças e desilusões com os rumos que o movimento dos trabalhadores tomou, após o colapso da URSS.

O homem, como ser capaz de criação e esperança, preencheu de forma legítima sua mente e seu coração, da possibilidade de constituição de um mundo mais justo e igualitário para todos.

Apesar de todas as suas contradições, aquele movimento representou o esforço de mulheres e homens na busca de um futuro que desse não apenas pão a seus filhos, mas a possibilidade de ver a beleza do mundo no sorriso de cada vizinho, por saberem que uns se importavam com os outros.

Uma revolução, não se faz com flores. Então, estigmatizar a Revolução Russa por causa de seu caráter armado, é no mínimo desconhecer eventos como as Revoluções Inglesas e a Revolução Russa. Por acaso ficamos penalizados com o fato de Luís XVI e Maria Antonieta terem sido enviados para a guilhotina?

É possível ter ao menos uma estimativa de quantas pessoas morreram com as incursões imperialistas na Ásia e na África, que tinham como único objetivo, encher os bolsos das potências capitalistas de mais dinheiro? Não é verdade que após a Segunda Guerra Mundial e séculos de espoliação, elas ainda se atreveram a manter africanos e asiáticos como colônias?

Um escravo quando pega em armas contra os seus senhores, é assassino ou revolucionário? Era o Czar um homem que levaria justiça ao seu povo? Não deveria ter tentado o povo russo, construir um outro caminho? Os jacobinos deveriam ter se conformado com o absolutismo e os cubanos tolerado o ditador Fulgêncio Batista como fizeram os americanos?   

Esse inconformismo, que se mantém diante das injustiças do mundo, é o que move aqueles que não aceitam que a vida é assim mesmo. Ou seja, que a maioria deve morrer para que uns poucos possam viver de luxo.

O lastimável é que muitos dos que estão condenados a esta morte, tenham se convencido de que eles próprios são dignos de sua desgraça.

Mais lastimável ainda, é a perdição em que a denominada esquerda se meteu, perdida no labirinto de infrutíferas discussões e temas que de longe, são os pontos centrais da vida das pessoas.

O fato é que, enquanto houver desigualdades, haverá socialismo. Pois não se trata, como antes, apenas da maneira de relacionar-se com a riqueza, mas com um modo de todos poderem beneficiar-se dela. 

Porém, para isso, nunca poderemos deixar de olhar para 1917 e saber que não será nem um pouco barato.

Demétrio Melo

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